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Infinita poesia

Textos

Uma dose de caos

Oras, a teoria é extensa e reafirma a necessidade do caos para a continuidade das coisas do mundo.

Tudo se desfaz no exato momento em que ganha existência.

Numa contínua imprevisibidade.

O ser, o existir, o estar acontecendo tem uma temporalidade exigua.

No mais, o resto, ou mesmo o todo, é apenas um lapso temporal.

O mundo já não será o mesmo ao final dessas linhas.

Que por hora ganham a pretensa intenção de se desenharem como poema.

Tomado por pensamento linear me remeto à linha férrea.

Mas, me engano...!

Na composição de ferro de onde estou a elocubrar-me, vago é o pensamento.

O trem de tempo em tempo visitando as estações, escancara as portas dos vagões.

Gente vai e gente vem.

Pois, o que digo!?

Oras, é caótico o mundo, pois não tem nada de linha contínua.

A paisagem que se apresenta pela janela,em viagens subsequentes, muito embora possua a mesma moldura, nunca será a mesma na próxima viagem.

Pelo simples fato de que o pretérito deixa de existir continuamente.

A existência é sim caótica.

Pois, ela é feita de movimentos que se perdem no momento da morte do passado.

Os movimentos são contínuos e auto extinguiveis.

Dezenas de pássaros em revogada ao redor de um lago tropical no hemisfério Sul.

Uma manada de búfalos em galopada na beira de uma terra alagada qualquer.

No mar azul, um cardume de peixes atacado por trinta-reis.

E o sol tangenciando a Terra.

E a lua subsequenciando o sol.

E a noite subistituindo o dia!

O choro de uma tenra criança anunciando o fim do parto.

Uma vela queimando até o fim da cera.

Para o santo, ou para o morto!

E no metrô, as estações se alternam, as pessoa se substituem, num existir repleto de complexidade.

A voz metálica que anuncia a parada.

Gente que parte e gente que chega.

Morte e vida estampada no movimento dos corpos.

E o caos segue, segue e segue ininterrupto.

E todas as coisas do mundo correm sem parada.

E tudo vai caoticamente se alternando na paisagem pela janela do mundo.

Nada é perene, tudo é perecível.

E tais linhas talhadas em tanta elocubraçao é somente para reafirmar que o existir é apenas no agora.

 

 

Ton Costa
Enviado por Ton Costa em 16/02/2025
Alterado em 17/02/2025


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