voo de palavras

Infinita poesia

Textos

Desejo profano

Intrometometo-me pelas ancas da escrita

Pois a sina das letras é parir palavras

e de palavra em palavra

em meio a coxas tão tenras

chafurdo-me em libido alucinativa

 

E brotam como flores os conceptos

São letras e palavras e textos

a gozar da realidade subjetiva

 

E, do poeta, o gozo são só palavras

Mas, que intensas são tais!

Pois delas emana o desejo profano

Desejo que somente tais palavras

são capazes de subverter o que é frigido

 

Subserviente à poesia é a paixão

que desconecta o corpo da mente objetiva

Aquela cujo racionalismo impõe-se

como regra e caminho condicional

 

Mas se racional, restaria morta a poesia

De sorte que resiste o poeta

Pois, ainda que lançado ao pau de arara

em colheita de açoites dilacerantes

não se entrega à razão

 

E assim, se deixa levar

por tamanha luxuria

Por tamanho prazer

de se entregar a afagos

de letras, palavras e gozos

 

 

Ton Costa
Enviado por Ton Costa em 28/02/2025
Alterado em 28/02/2025


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