voo de palavras

Infinita poesia

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A tal da fossa

Paixão desenfreada...

No escalar das horas do dia

a noite se impõe.

E todas as esperanças depositadas na luz se retiram.

O baile finda e a bela dama embarcou em carroagem diversa.

Não a conduzi para onde se amam todos os que amam.

E então, a certeza da dor se aproxima e reverbera.

Finda a noite, findo o baile.

O baile da vida é assim, de amores e desamores repleto, paciência!

E eu, como tantos outros, estive nesse baile ao longo do dia e sempre restei-me só.

Não dancei qualquer valsa!

E agora,quando a noite se impõe, todos os possíveis amores se retiraram com a luz e a escuridão domina minh'alma.

Como é cruel se entregar à tamanha tristeza!

Mas, ainda vejo um feixe fraco de luz se espremendo na soleira.

Mas não ouso abrir a porta, permito assim que o existir seja como é, repleto de incertezas e imprevisibilidades.

Possíveis amores são um risco e como resultado, a dor é muito comum.

Mas, não me importo e me entrego à possível dor, e faço dos soluços palavras.

Pois que se não tão tristes pela solidão, não há o que se desfazer em poesias.

Pois, o poeta é e sempre e será, um ser melancólico.

E seguem-se assim os pobres mortais, poetas ou não, em existências talhadas pelo amor inatingível.

E sim, pobres são todos os residentes nesse baile de valsa desvairada de ritmo.

Pois, que de certo, só há que ser de algum proveito o amor de fato, belo e plenamente correspondido.

E vamos assim.

Cada qual de nós, cada um.

Cada qual dos quem amam, em sua barca de paixão desenfreada a tentar mudar o ritmo do coração, do planeta, do universo, de tudo.

Sempre com insucesso, pois é a regra.

 

 

Ton Costa
Enviado por Ton Costa em 04/04/2025


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